21.7.07

Adeus ao Coronel

Ele foi presidente de grêmio estudantil, médico formado, jornalista, escritor, professor universitário, dono de veículos de comunicação. Foi até imortal na Academia Brasileira de letras.

Na política desde 1954, atuou como deputado estadual pela extinta UDN, foi três vezes deputado federal, prefeito nomeado de Salvador, duas vezes nomeado governador da Bahia pela ditadura, ocupante de tantos cargos importantes entre eles a presidência da Eletrobrás e membro do Conselho de Administração da Itaipu Binacional.

Fundou o PFL, hoje Democratas. Foi Ministro das Comunicações, se elegeu governador por voto direto, por fim foi duas vezes Senador da República.

O soteropolitano Antonio Carlos Magalhães, muito conhecido pela sonora abreviatura ACM, foi um homem de grandes obras: construiu rede de saneamento básico em seu estado, a rodoviária da Bahia, entre outras coisas.

Mesmo com todo esse retrospecto político, o que vai ficar para os anais da história e da memória política nacional, quando se lembrar do nobre senador serão os escândalos.

Das concessões públicas para rádio e emissoras de televisão dados a apaniguados políticos, até a renúncia ao senado para não perder os direitos políticos depois de violar os painéis eletrônicos do Congresso.

Criou até "doutrina" política: o Carlismo. E através dela elegeu e indicou sucessores, fez e desfez nos rincões políticos do Nordeste, influenciou presidentes, discursou com eloqüência falácias e frases de efeito.

Antonio Carlos Magalhães sempre será uma raposa velha na história da política brasileira, falecido ontem, por falência multipla dos órgãos aos 79 anos, terá que acertar as contas não mais com a justiça, que no Brasil só chega aos pobres e desvalidos.

O coronel da Bahia e seus confins agora terá de se acertar com uma outra moeda de barganho, saem os cargos públicos e o dinheiro de origem duvidosa.

Será somente ele e Deus!

informações obtidas pelo auxílio do emburrecedor Google e Folha Online

9 comentários:

Marshall 21/7/07 16:21  

Respeito a dor dos que gostavam dele, mas fiquei com aquela impressão de que quando morre todo mundo fica bonzinho...

João 21/7/07 22:43  

com ctzz
a impressa, vai passar uma boa imagem dele, como sempre fazem com os ladroes de alto escalao nesse pais!
abraço socio

Tiago Conselheiro 22/7/07 02:25  

E que sua boa referencia de um homem q lutou pela politica fique de bom..
E no mais..
Boa semana!
Abs

Marina Gurgel 23/7/07 08:56  

Beto, nem sei o que dizer... é maldade dizer que político bom é politico morto.. é também um exagero.. mas é essa a impressão que as vezes eu fico..

Klero 23/7/07 12:58  

As conseqüências dos absurdos que ele praticou vão ficar por muito tempo, e marcaram a identidade e história política do Brasil. Acho que é uma das mortes mais comemoradas, o que é triste em todos os aspectos.

Alexandre Lucas 23/7/07 14:21  

Me lembro de uma sábia frase que meu pai citava: "os moinhos do Senhor moem lentamente, muito lentamente. Mas moem fino, muito fino." Será realmente só ele e Deus...

johon 23/7/07 23:15  

pena que o povo brasileiro tem um problema de esquecimento agudo e que a nossa imprensa feche os olhos para os fatos....

essa é a impressão que fica (pegando emprestado a expressão que alguns usaram aqui)

Leo Carioca 24/7/07 02:26  

Bom, quem gostava dele em 99% das vezes eram aqueles conservadores que foram criados com a mentalidade de que o coronel da fazenda tá sempre certo, né?
Tirando isso...

Robsrod 27/7/07 12:07  

Certamente Beto suas observações sobre o ACM são contundentes. Olha só o exemplo do Roberto Marinho, outra raposa. Apesar da última derrota na Bahia, a família dele continua (pena o ACM neto também não ter morrido com a facada que levou). Vale lembrar também que um grande jornal e emissoras de rádio na Bahia ainda então nas mãos da família, fato que comprova que comentários como o seu (muito bons) só encontramos em blogs e em mídias mais alternativas.
PS. SALVE AS EXCEÇÕES.

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