15.8.07

Gramado: 2º dia

Na segunda-feira, 13/08, segundo dia de Festival de Cinema de Gramado, celebridades circulando pelas ruas, tempo bastante aprazível na serra gaúcha, e mais um filme assistido.

Foi realmente um dia nada típico no Festival, a começar pelo primeiro filme da noite, o documentário argentino Cocalero, que conta a história de Evo Morales.

O filme teve que ser exibido por uma cópia de uso pessoal, já que a cópia em película para a projeção no cinema não chegou ao Brasil.

Logo em seguida, todos acomodados para assistir ao brasileiro “Olho de Boi” e menos de dez minutos do filme em exibição, o diretor da película, Hermano Penna, manda parar a projeção, pois o filme estava sendo rodado na janela errada – vim a saber que janela é o tamanho de exibição e abertura na projeção. Quando recomeçou a projeção, deu pra perceber nitidamente que a tela agora estava melhor aproveitada.

Enfim, a seguir o meu parecer sobre o filme Olho de Boi.


Olho de Boi
(Brasil, 2007, 72 min, Drama)

O diretor Hermano Penna apresenta em Olho de Boi sua livre adaptação da tragédia de Édipo Rei.

Modesto (Genézio de Barros) e seu protegido Cirineu (Gustavo Machado), dois peões de fazenda, se atocaiam no mato em busca de vingança. Modesto quer o sangue de seu irmão Justo (Cacá Amaral), que pela intrigas de Cirineu, é supostamente amante de sua esposa, Evangelina (Angelina Muniz).

Mas tudo está aberto, e os diálogos, primorosos são grandes lições para a vida das personagens simples e de toda a criatura que habita o mundo.

Olho de Boi trata do poder da palavra. Mais do que isso, trata de sentimentos nobres como a confiança, amizade, verdade. Porém é do ódio e do desejo de sangue que obtém seu substrato.

Um trabalho de atores excepcional, já que o filme de apenas 72 minutos é quase todo realizado na presença do par Modesto e Cirineu, que vão do chiste ao rancor, e da pena à crueldade em performances irretocáveis.

O sertão mostrado pelo filme vai além da paisagem desoladora e inabitável. É a própria consciência intangível das personagens, um espaço de sonho e loucura.

A saga por vezes remete ao clássico Esperando Godot, de Samuel Becker, mas ao contrário dessa obra, a espera é recompensada, e o desfecho é tão altivo, quanto ao olhar de um boi: escuro, obstinado e duro.

2 comentários:

Déa 15/8/07 22:53  

Menino! Estou adorando "ver" Gramado pelos seus olhos! Beijos

Klero 16/8/07 08:24  

Gramado... ah... que inveja. Se bem que eu não iria ver nenhum filme, ia ver a cidade de novo... tão linda!

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